Archive for Janeiro, 2003

Conferência/Debate “Trabalho e Dignidade Humana”

Janeiro 18th, 2003

O núcleo da Juventude Comunista Portuguesa de Lordelo reuniu, no dia 18 de Janeiro, no salão da Cooperativa “A Lord”, várias personalidades, com o objectivo de ser debatido o novo Código de Trabalho e as suas implicações para o trabalhador enquanto pessoa com dignidade. A moderar esta conferência/debate esteve Miguel Correia, membro da JCP e do PCP de Lordelo, numa tarde animada pelas comunicações de Joaquim Santos, pároco de Rebordosa, Manuel Teixeira, presidente do PP de Paredes, e Álvaro Pinto, sindicalista da CGTP (presidente do Sindicato dos Ferroviários do Norte), presidente da Junta  de Freguesia de Parada de Todeia, e também deputado na Assembleia Municipal de Paredes pela CDU. Numa conferência que pretendia abranger diferentes posições relativamente ao assunto, a primeira intervenção foi do padre Joaquim Santos. Para o pároco, “a dignidade do trabalho corresponde ao trabalho da pessoa”, acrescentando que “por este meio, o homem continua a obra criadora iniciada por Deus”. Não esqueceu ainda de mencionar que “o maior doente das relações laborais é o capital” e de referir a extrema importância do Estado, pela sua capacidade “interventiva e decisiva no mundo laboral”.
Manuel Teixeira concordou com as palavras pronunciadas de acordo com a perspectiva católica. O líder do PP também considerou que “o trabalho é ou pode ser, muitas vezes, um atentado à dignidade”, afirmando ainda que “o facto de trabalharmos é positivo para a afirmação de alguém como homem e como homem digno”. No entanto, no seu entender, o pacote laboral imposto pelo governo privilegia aspectos que não tinham sido pensados, “nomeadamente quando obrigam a entidade patronal a fundamentar muitas das suas decisões ou quando criam as garantias dos direitos de personalidade, impedindo que os operários sejam violentados”.
Contestando as afirmações do representante do partido da coligação governativa, Álvaro Pinto garantiu haver um desfasamento entre teoria e prática, no que concerne ao Novo Código. O sindicalista vai ainda mais longe e diz mesmo que “com este código, querem-nos transformar no elo mais fraco, até porque existe claramente uma regressão social anterior ao 25 de Abril”. Convicto de que o desenvolvimento do país não passa por esta nova legislação, salienta, por exemplo, que “não há dignidade humana no trabalho, se houver diminuição salarial e aumento do horário de trabalho”. Álvaro Pinto na sua intervenção, salientou ainda a importância da luta sindical e da união dos trabalhadores para que haja trabalho com dignidade. A propósito desta questão, o sindicalista cita Sérgio Godinho: “mais vale ser cão raivoso do que uma sardinha enfiada numa lata de conserva. Coitadinha dela! Viva o cão raivoso!”
Todas estas questões levantaram a polémica, numa sala caracterizada por um público interventivo. Sem se encontrar o consenso, ficou pelo menos a ideia de que era manifesta a preocupação sobre o futuro do assalariado, os seus reais direitos, sobretudo no que diz respeito à defesa da dignidade humana.

18 de Janeiro de 2003

REGISTOS DA HISTÓRIA – Assembleia Municipal

Janeiro 1st, 2003

No ano de 2003, no auge da invasão do Iraque pela Coligação liderada pelos Estados Unidos da América e Grâ-Bretanha, Cristiano Ribeiro escreveu um texto poético, publicado no O Progresso de Paredes, de 11 de Abril.

Álvaro Pinto, na qualidade de membro da Assembleia Municipal de Paredes, leu o referido texto em sessão da Assembleia, provocando a irritação de alguns, nomeadamente do Presidente da Junta de Freguesia de Recarei, Pedro Nunes (PSD).

Eis o texto:

A ESTRADA DE BAGDADE
Corre veloz o tempo
no asfalto da estrada de Bagdade
na agreste companhia
do vento do deserto.

Percorre-o agora uma força implacável
um demónio uma fúria uma vingança
á ilharga de estranhos deuses invocados
no comércio mentiroso da esperança.

Ó Mesopotâmia!
Querem libertar-te
agrilhoando teus pulsos
querem seduzir-te
violando teu corpo
querem-te dócil
para melhor os servires,
das entranhas até aos ossos,
porém, resistes!

Ó Mesopotâmia!
Na tua memória
persiste o tropel de tantos exércitos
de ambições loucas
e vontades férreas.
Agora querem redimir tua sede,
tua dor, teus mortos
extirpando-te a alma
e secando teus poços,
porém, não desistes!

As lagartas das máquinas de guerra
deslizam na estrada de Bagdade
imperiais e ofegantes,
atrasadas para o festim
e eles iluminam teus céus
atroam tuas cidades
penetram sem aviso
os limites das tuas portas.
Pássaros de fogo
cercam a cidadela do teu coração
e pulverizam a esperança
com bombas de fragmentação.

E quando exausta e vencida, já deitada
te faltar a coragem, as armas, a vontade de lutar
Ó Mesopotâmia!
Não te rendas aos invasores!
Olha-os nos olhos
orgulhosa, firme no olhar
e canta, canta que em todo o mundo é possível
um Tigre e Eufrates de águas límpidas
e que em todo o lado há gente
que sofre sem chorar

E então senti-los-ás reflectir
senti-los-ás vacilar
sentir-te-ás renascida
Ó Mesopotâmia!
Tu és de todo o lugar!
E, nós, os filhos da justiça
teu nome faremos honrar

Corre veloz o tempo
no asfalto da estrada de Bagdade
longa a jornada,
incerto o destino,
paciente a razão
num sofrimento
sentido

No asfalto da estrada de Bagdade
nascerão flores
que enfeitarão cabelos de crianças
e então morrer, finalmente
será proibido.

Registos da História – Desmantelamento dos CTT

Janeiro 1st, 2003

PCP/CDU – Paredes

A Administração dos CTT em 2003 pretendeu encerrar 1200 postos do correio e cerca de 500 estações, invocando uma lógica da não rentabilidade de inúmeros destes serviços locais.

A vontade expressa da Administração dos CTT, presidida então por Horta e Costa *, aparecia disfarçada por apregoadas boas intenções, como a descentralização das responsabilidades para entidades locais como as Juntas de Freguesia, que seriam seduzidas por um subsídio de prestação de serviços.

Mas ficou claro que o que se pretendia era o desmantelamento de um serviço público, a entrega de novos encargos e obrigações sem os meios adequados, deixando aos CTT a fatia apetecível, a chamada carne do lombo.

Reduzia-se o emprego, diminuía-se a qualidade e a acessibilidade dos serviços nas zonas periféricas, engordavam-se os lucros dos CTT tornando-os mais apetecíveis aos interesses da privatização. Cristiano Ribeiro escreveu então em O Progresso de Paredes sobre “Os coveiros dos CTT”.

A CDU, através de Juvilte Madureira e Álvaro Pinto, apresentou uma MOÇÃO na Assembleia Municipal de Paredes. A Moção foi rejeitada com 22 votos contra, 10 a favor e 2 abstenções.

Assim, a AM de Paredes decidiu Não “Repudiar o desmantelamento do serviço público de correio”, Não “Reclamar que se mantenham em funcionamento os postos e estações de correios, hoje existentes…”, Não “ Se solidarizar com a luta dos trabalhadores dos CTT, em defesa dos seus postos de trabalho…” e NÃO “Recusar esta nova tentativa de transferir competências para as autarquias locai, sem os meios adequados ao seu exercício…”

Recordar uma página negra da vida autárquica de Paredes é relembrar a intervenção adequada da CDU e do PCP.

*actualmente acusado dos crimes de participação económica em negócio e administração danosa