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A situação de Lordelo no domínio da saúde – Ano 2003

Setembro 1st, 2003

1. Introdução

Numa iniciativa inédita, a Comissão de Freguesia de Lordelo do Partido Comunista Português e o colectivo local da Juventude Comunista Portuguesa, entre os dias 12 de Julho e 18 de Agosto de 2003, levou a cabo múltiplos contactos com a população da cidade de Lordelo (Paredes) que recorre aos serviços de saúde, a fim de responderem a um inquérito intitulado “A Situação em Lordelo no Domínio da Saúde” (ver em anexo).
O inquérito visava a elaboração de um estudo que permitisse avaliar o grau de satisfação dos utentes em relação aos diversos aspectos dos serviços de saúde público e privado, com vista a uma intervenção política e social do PCP e da JCP, ou de outras entidades, na área da saúde.
A enorme receptividade dos lordelenses a esta iniciativa levou a que o inquérito, inicialmente com 300 exemplares, fosse aumentado para 1000 (mil). Assim, conseguiu-se que 820 pessoas respondessem ao inquérito (os restantes, ou não foram preenchidos ou não foram entregues a tempo). Uma amostra bastante significativa, que revelou dados interessantes em diversos aspectos.

2. Análise e comentário do inquérito “A Situação de Lordelo no Domínio da Saúde”

Uma leitura mais atenta e pormenorizada dos resultados do inquérito feito à população de Lordelo sobre a Saúde, permite-nos concluir que: se nem tudo está mal, há aspectos bastante negativos que urge corrigir.
O primeiro ponto tem a ver com a opinião geral da nossa população. O grande grosso dos inquiridos diz-nos que a situação é “má”; embora um considerável número classifica-a de “razoável”. No entanto, são muito poucos o que a consideram “boa” (ver questão 3), o que permite-nos concluir que há um longo caminho a percorrer, até atingir a optimização dos serviços prestados à população lordelense.
O primeiro dado preocupante é a assiduidade dos médicos, e aí, os dados apontam para um quadro bastante negativo. Os lordelenses salientam através deste inquérito a insatisfação sobre a forma como estes profissionais têm servido a sua população. Outro dado também elucidatório de que este inquérito foi levado a sério pela população, é a destrinça feita pelos lordelenses em relação aos enfermeiros que trabalham no mesmo Centro de Saúde. Ou seja, nota globalmente positiva, para estes profissionais, atingindo níveis bastante elevados de satisfação dos inquiridos (ver quadro 1).
Note-se que não se pretende fazer aqui leituras ou interpretações, sobre quais os motivos para tais discrepâncias, mas assinalá-las. Também como parte integrante de todo o sistema, não podemos deixar de referir a opinião dos lordelenses em relação ao pessoal administrativo. E aqui, os números também são bastantes contraditórios; a barreira da percentagem dos que consideram os serviços “razoáveis” e “maus” é bastante equilibrada, não se podendo avaliar a sua prestação de forma categórica. Contudo, a percentagem de avaliação “má” merece uma séria reflexão.
Quanto ao conforto, limpeza e higiene do Centro de Saúde, o grau de satisfação pode-se aferir de “razoável”, na grande maioria dos inquiridos.
Por fim, em relação aos utentes, e seu respectivo comportamento, o resultado é nitidamente avaliado pelo próprios como desadequado em relação ao local e ao bom funcionamento dos serviços aí prestados.
Após uma leitura dos principais itens referentes à qualidade dos serviços prestados no Centro de Saúde, vamos analisar algumas das situações que sustentam as posições dos inquiridos.
A primeira prende-se com o tempo de espera pela sua consulta, e posterior explicação para tal demora (ver questões 1.4 e 1.5). Aqui regista-se que a grande maioria dos utentes dificilmente é atendido à hora marcada, e grande parte dos inquiridos gostaria de saber o motivo mas, não lhe é dada qualquer explicação.
A maior parte dos inquiridos não pagam taxa moderadora, mas, na sua maioria, consideram-na injusta (ver questões 1.1 e 1.2).
Outro dado que importa referir prende-se com o número de utentes que não dispõem de médico de família. Ou seja, quase um terço dos inquiridos afirma-se nesta situação. Daí resultante talvez a conclusão dos lordelenses afirmar que dos melhoramentos indispensáveis sejam aumentar o número de médicos, com vista a um melhor atendimento, assim como melhor organização e atendimento dos funcionários (ver questão 1.13).
Em relação à forma como os lordelenses se deslocam ao Centro de Saúde, aqui poderemos ter resultados um tanto ao quanto ambíguos; isto é, se grande percentagem se desloca a pé e o tempo de demora é bastante reduzido, outra parte significativa dispõe de transporte próprio (ver questões 1.9 e 1.10). Contudo, pelos resultados dos inquéritos depreende-se que a localização do Centro não é factor impeditivo do acesso ao mesmo, embora com excepções.
Quanto às surpresas desagradáveis e agradáveis, nas visitas ao Centro de Saúde verifica-se dados interessantes por parte dos utentes.
Nas desagradáveis, embora predomine um vasto leque que, simplesmente refere “todas” e “muitas”, como a sua opinião, não deixa de ser preocupante o número de pessoas que apontam o barulho e discussões entre os utentes (ver questão 1.12). As observações seguintes aludem ao mau atendimento em paralelo com a frustração de chegar ao Posto Médico e não haver médico disponível. Quanto às surpresas agradáveis o grande grosso dos inquiridos optam por não responder (ver questão 1.11). No entanto, logo a seguir aparece-nos a opinião de que não tiveram nenhuma ou quase nenhuma surpresa agradável. Nota positiva, embora bastante ténue, para as exposições levadas a cabo pela Fundação “A Lord” , que foi a mais referenciada pelos utentes como surpresa agradável.
Debrucemos-nos agora, num ponto bastante importante, e que nos irá mostrar quais as prioridades, e os melhoramentos, que os utentes consideram indispensáveis. Sem sombra de dúvida, os lordelenses querem um aumento de número de médicos. Esta é a condição que os utentes entendem ser prioritária para a melhoria dos serviços de saúde prestados à população.
Todavia, a melhoria no atendimento por parte dos médicos e funcionários não andam muito longe de ser o primeiro anseio dos utentes, ficando a longa distância de múltiplos aspectos referenciados, tais como: melhoria do exterior, (mormente, colocação de bancos e cobertura do exterior do Centro de Saúde), higiene e limpeza, televisão e jornais actualizados, e criação de um serviço de urgência. Não deixa de ser significativo a maior preocupação dos utentes com os recursos humanos e o seu desempenho em contraponto com as reais e actuais condições físicas do estabelecimento.
Como conclusão deste estudo, podemos aferir que no cômputo geral, a análise feita pelos inquiridos aos serviços prestados à população é negativa. Contudo, bastantes pessoas também o qualificam de razoável, o que por si só denunciam que até se alcançar o nível “bom” há uma distância considerável a percorrer.
Este inquérito não incidiu somente nos serviços de saúde públicos, mas foi mais longe, e pretendeu também saber o que pensam os lordelenses em matéria de acesso à saúde privada.
Os dados resultantes confirmam a predominância das consultas no serviço público, em detrimento do privado (ver questão 2.1). No entanto, uma fasquia relevante recorre a ambos na mesma proporção. A maioria dos inquiridos considera muito elevados os preços praticados no serviço privado (ver questão 2.4). Teremos, por isso, forçosamente de analisar os motivos por que as pessoas, embora considerando extremamente gravosas no aspecto financeiro o acesso ao serviço privado de saúde, a ele recorrem tantas vezes.
Em primeiro lugar cremos que pelos resultados, o principal motivo se prende com a inexistência de especialistas em diversas áreas nos Centros de Saúde públicos. Atestam bem essa realidade os números relativos aos serviços e especialidades que mais fazem falta à população. A procura de exames clínicos, ou de especialidades como Ortopedia, Ginecologia, Pediatria, Psiquiatria, Oftalmologia, Otorrinolaringologia, Fisioterapia, etc… parecem levar a uma procura dos serviços de saúde privados com bastante regularidade. Todavia, também não será factor inegável, que as queixas atribuídas às lacunas referenciadas aos serviços do Centro de Saúde possam ser indiciatórias para a procura dos serviços privados.
Todas estas conclusões são visões de uma leitura própria, e como tal, sujeita a refutações e discussão. No entanto, é o contributo que a Comissão de Freguesia de Lordelo do Partido Comunista Português presta à população e a todas as entidades que trabalham na área da saúde, agradecendo o contributo desinteressado mas empenhado de todos.

1 de Setembro de 2003