Archive for Novembro, 2003

A Eurodeputada Comunista Ilda Figueiredo visitou o Vale de Sousa

Novembro 24th, 2003

A eurodeputada comunista Ilda Figueiredo visitou no dia 24 de Novembro de 2003 (segunda-feira) o concelho de Penafiel a fim de tomar conhecimento de vários problemas na área do ambiente e da saúde, numa iniciativa organizada pela Direcção Sub-Regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP.

Aterro Sanitário de Rio Mau (Penafiel)

Cerca das 9h30m contactou com as populações de Rio Mau e Sebolido, com visita ao Aterro Sanitário de Rio Mau (serra da Boneca), em Penafiel. Aqui pode constatar alguns atentados ambientais decorrentes das deficiências dessa infra-estrutura. Além dos cheiros e da libertação de gases, o principal problema prende-se com o escoamento de águas poluentes (lixiviados) que se infiltram nos lençóis freáticos e que poluem nascentes e afluentes do rio Mau (afluente do rio Douro). Joel Braga, responsável técnico pelo Aterro admitiu algumas das deficiências apontadas pelas populações, mas garantiu que quando os tanques ficam cheios, os lixiviados são escoados por camiões-cisternas que os transportam para o Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Arreigada (Paços de Ferreira). Para este técnico, estão a ser feitas melhorias na infra-estrutura de forma a diminuir os efeitos nefastos. De notar que a empresa que gere o Aterro é a AMBISOUSA, dependente da Associação Municípios do Vale do Sousa, que substituiu a RESIN, uma empresa de capitais privados. Isto significa que a privatização deste tipo serviços não são positivos para as populações e para o meio ambiente.
Os populares e eleitos da CDU presentes testemunharam à eurodeputada que as águas para consumo estão poluídas, e que o depósito de lixos, nomeadamente pneus, continua a ser feito na zona envolvente do Aterro, agravando o estado ambiental da zona. A reivindicação para solucionar este problema é já antiga das populações locais que sentem que este Aterro só trouxe problemas numa área de grande interesse paisagístico e que já produziu um mel de excelente qualidade (tido como um dos melhores da Europa) devido à concentração de plantas como a alfazema, o rosmaninho ou a urze que hoje praticamente desapareceram.

Obras de Acesso à nova ponte de Entre-os-Rios

Depois da visita ao Aterro de Rio Mau, a comitiva liderada por Ilda Figueiredo foi inteirar-se dos efeitos ambientais e de segurança provocadas pelo movimento de terras nos acessos à nova ponte de Entre-os-Rios e na construção do IC35 que ligará Penafiel a Sever do Vouga. Para a eurodeputada a melhor solução era a construção de um túnel. Com isto evitava-se o esventramento da encosta que além de ser um atentado paisagístico e estético pode trazer graves problemas de segurança à população local devido ao perigo de desmoronamento de terras e rochas.

“O Hospital não pode ser uma fábrica”

Em seguida, a comitiva rumou ao Hospital Padre Américo – Vale do Sousa (Penafiel) para reunir com o Conselho de Administração, no sentido de tomar conhecimento das carências desta estrutura de primordial importância para as populações do Vale do Sousa.
À saída do Hospital, cerca das 12h30m, Ilda Figueiredo realiza uma conferência de imprensa onde dá nota do resultado da sua visita com o Conselho de Administração. A eurodeputada começa por salientar que o PCP e a CDU sempre lutaram pela construção de um novo Hospital no Vale de Sousa. O actual Hospital, dotado dos mais modernos equipamentos tem ainda défice de profissionais, sendo apontada como a principal causa do não funcionamento de algumas especialidades. É necessário um melhor funcionamento no que diz respeito aos cuidados primários, se tivermos em conta que cerca de um terço dos habitantes do Vale do Sousa não têm médico de família (130 mil) e ainda que os Centros de Saúde não conseguem consultar todos os utentes que ocorrem aos seus serviços, o que levou à necessidade de um serviço de triagem nas urgências.
A deputada comunista teceu críticas ao Ministério da Saúde por não implementar políticas que aproximem os cuidados de saúde das populações e à nova Lei de Gestão Hospitalar que impõe critérios baseados em números e não na satisfação dos utentes. A este propósito manifestou a sua preocupação relativamente ao reduzido número de funcionários públicos (menos de 50%) a trabalharem na instituição.
Por último, sublinhou a ideia que o PCP sempre lutou e lutará para que a saúde seja acessível a todos, e não apenas daqueles que a podem pagar.

A Organização Sub-Regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP
24 de Novembro de 2003

Jantar Comemorativo da Revolução de Outubro

Novembro 10th, 2003

A Organização Sub-Regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP comemorou o 86.º aniversário da Revolução Russa de 1917, num jantar em Penafiel, no passado dia 8 de Novembro.
No repasto participaram José Casanova, director do Avante! e membro da Comissão Política do Comité Central do PCP, e Arnaldo Mesquita, destacado intelectual e militante comunista do Vale do Sousa, apresentados aos militantes e simpatizantes presentes por Armando Mesquita, responsável pela Organização Sub-Regional.
Arnaldo Mesquita começou por agradecer o convite recordando a importância de comemorar a data da Revolução Socialista de Outubro.
Para o intelectual comunista a Revolução Russa foi um acontecimento ímpar na História Universal e fundamental para o surgimento dos partidos comunistas em todo o mundo. De facto, a luta do partido de Lenine e dos bolcheviques é um exemplo a seguir por todos aqueles que querem combater o capitalismo, criador de graves injustiças sociais. O PCP enquanto partido da classe operária sempre lutou pelos direitos trabalhadores e pelo fim da exploração do homem pelo homem, inspirado no Marxismo-Leninismo, corrente de pensamento e prática revolucionária inspirada na Revolução de 7 de Novembro 1917.
Arnaldo Mesquita prosseguiu analisando a conjuntura internacional onde criticou a atitude de subserviência de Portugal face aos interesses do imperialismo americano, como atesta o envio de militares da GNR para o Iraque.
No plano nacional, Mesquita afiançou que o nosso país está a braços com um dos governos mais reaccionários que tivemos desde o 25 de Abril, dando como exemplo a aprovação do Novo Código de Trabalho, altamente lesivo para os direitos dos trabalhadores arduamente conquistados pela intervenção e pela luta das massas. E é precisamente através da luta levada a cabo pelos trabalhadores, pelos estudantes, pelos homens e mulheres do nosso país que se pode debelar tão grande ofensiva. As manifestações dos trabalhadores com os sindicatos da CGTP, a luta dos estudantes do ensino superior, e luta constante do PCP conforme a sua identidade revolucionária são exemplos que deixam o intelectual optimista em relação ao futuro.
José Casanova, na sua intervenção, começou por elogiar a Organização Sub-Regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP que conseguir reunir mais de 160 pessoas comemorando a Revolução Russa, debelando o esquecimento e a indiferença por parte órgãos de comunicação social.
Num tempo onde se continua a dizer que o comunismo morreu e que o capitalismo triunfou, é importante este tipo de iniciativas realizadas por muitas organizações comunistas, em Portugal e no Mundo. Neste sentido, o director do Avante! relembra que tal como em 1917, também hoje os comunistas devem mover esforços para fazer frente ao capitalismo que oprime milhões de pessoas. Para Casanova, 7 de Novembro de 1917 é uma data fundamental para todos aqueles que lutam pelo fim da exploração do homem pelo homem. Porque a fundação do PCP está estreitamente ligada à Revolução Bolchevique, aos seus ideais e projectos é necessário relembrar o maior acontecimento revolucionário do séc. XX.
José Casanova aludiu às experiências negativas da União Soviética e o Leste europeu, apontando um conjunto vasto e complexo de factores donde emergem, por um lado, a violenta ofensiva do capitalismo que a Revolução sofreu; por outro lado, as práticas de perversão da democracia, de afastamento e afrontamento do ideal comunista praticado pelos partidos comunistas no Poder; por outro lado, ainda, as práticas de dirigentes que traíram a confiança depositada pelos respectivos partidos.
Na sua intervenção, o membro do Comité Central do PCP comenta a situação internacional onde o imperialismo tudo faz para derrotar as experiências socialistas em diversos países, como é o caso de Cuba e da Venezuela. Alude ao envio de tropas da GNR para o Iraque, país ocupado pelos Estados Unidos e seus lacaios. Desmentindo as teses do imperialismo americano, Casanova refere que afinal o povo iraquiano não aceita a ocupação americana porque já perceberam que o petróleo e os interesses económicos foram o verdadeiro motivo da invasão.
Casanova refere-se ainda às ofensivas da política de direita do governo português como provam o Código do Trabalho, as privatizações a torto e a direito (na saúde, na educação, nos CTT, etc), a revisão constitucional, a Lei dos Partidos como atitudes próprias de governantes que querem perpetuar a desigualdade social e os interesses dos grandes grupos económicos.
Esta política só pode ser combatida com o mesmo espírito revolucionário dos bolcheviques quando derrotaram o czarismo.
Depois destas duas intervenções, a jovem cantora Bruna Ribeiro interpretou canções de Abril acompanhada quase em uníssono pelos comunistas presentes, que assinaram uma litografia para entregar, como prenda de aniversário, a Álvaro Cunhal que no dia 10 de Novembro completa 90 anos.
No final ainda houve tempo para cantar “A Internacional” e a “Avante Camarada!”

A Organização Sub-Regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP
10 de Novembro de 2003